A Sociedade de Advogados, inclusive, a Sociedade Unipessoal

                                                                                   

                                                                           VARGAS VILA                                                                                                                           Advogado

                Diz-se que “a sociedade de advogados remonta sua origem, segundo indícios históricos, a época da Idade Média, influenciada talvez pela criação das corporações-de-ofício. Sua incidência, entretanto, nem se compara à das últimas, pois é característico que até muito pouco tempo atrás o exercício da advocacia era identificado senão como feito de modo individual, enaltecida a figura do advogado pura e simplesmente. Este quadro começa a ser alterado, todavia, em meados do século passado. As fusões e incorporações de empresas passam a ser rotineiras, os volumes de negócios e de capitais envolvidos, consequentemente, passam por aumentos escalares, e assim aumentaram também a volatilidade das relações. A este aspecto soma-se o fenômeno da globalização, que como primeira consequência trouxe a expansão das fronteiras mercadológicas e envolveu todo o processo de fusões e incorporações acima referido” [1]

1.1.        À luz do vigente Código Civil (arts. 166, 167 e 182) a sociedade de advogados tem natureza jurídica de sociedade simples na medida em que o Estatuto veda, como o anterior, que tenha o caráter mercantil o exercício da advocacia, caráter este próprio das sociedades empresárias.

            A pessoa jurídica da sociedade de advogados em tendo natureza de sociedade simples, e como tal, é uma sociedade de pessoas, e não de capital, na medida em que a atividade desenvolvida tem que sê-la mediante o exercício intelectual de seus sócios, todos advogados militantes ou não com regular inscrição na OAB, sendo a prestação de serviços é realizada mediante o conhecimento prático ou técnico de seus titulares, sabendo-se que as sociedades de pessoas são aquelas em que a realização do objeto social depende mais dos atributos individuais dos sócios.

             E não é somente por este aspecto que se caracteriza a natureza jurídica da socieade de advogados em sociedade simples vez que a par da vedação mercantilista da atividade advocatícia, por igual, é proibido expressamente que tenham seus registros nos cartórios de registro civil de pessoas jurídicas e nas juntas comerciais, registros estes próprios das sociedades empresariais, além de que o exercício da advocatura é de natureza essencialmente intelectual, uma das características das sociedades simples ao lado das atividades de natureza científica, literária ou artística, como estabelece o parágrafo único do art. 166, da Lei Substantiva Civil.

             Sendo deste modo que a Receita Federal inscreve a sociedade de advogados para a obtenção do CNPJ: Natureza Jurídica: 223-2     (Sociedade Simples Pura), terminologia adotada pelo fisco em atenção a parte da doutrina que faz a distinção, em que a sociedade simples que não adota nenhum dos tipos societários próprios das sociedades empresárias, como as sociedades limitadas é pura em contrapartida a sociedade simples se caracteriza como impura a aquela que adota um dos tipos societários das sociedades empresárias, como as sociedades limitadas, como o são, e.g., as clínicas médicas, chamadas até mesmo de sociedades simples limitadas, donde da razão social pode constar ao final S/S LTDA.

                 Averbe-se,  por oportuno, que a sociedade simples – sigla S/S – nada mais é do que a denominação adotada pelo vigente Código Civil para as antigas sociedades civis – sigla S/C.

1.1.1.       A  Lei nº 13.247, de 12 de janeiro de 2016, alterou profundamente as disposições contidas originariamente neste Capítulo, assim como permitiu a criação da sociedade unipessoal da advocacia, à semelhança da EIRELI (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada), esta criada pela Lei nº 12.441/2011, que é aquela constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social devidamente integralizado,   que diferentemente daquela empresa individual o capital social deve ser limitado a cem vezes o valor do maior salário mínimo vigente no País, ao passo que na sociedade unipessoal da advocacia não há limite para o valor do capital social.

                Cumpre registrar que muito se critica que a nova legislação tenha adotado o nomen juris de sociedade unipessoal para a novel figura jurídica profissional porquanto passa a ser difícil de se aceitar que possa haver sociedade constituída por uma só pessoa na medida em que, histórica e culturalmente, sempre se entendeu que sociedade significa uma reunião de pessoas, que tem origem no latim societas, que representa agrupamento ou conjunto de pessoas organizadas para determinados fins, donde sociedade passou a ser sinônimo da reunião de pessoas (físicas e/ou jurídicas) para fins colimados entre elas, isto advindo desde as Ordenações portuguesas chegando-se ao Código Comercial de 1850, até pouco vigente em nosso País, e recentemente ser consagrada no nosso Direito Positivo mediante a Lei nº 12.441, de 11 de julho de 2011, que criou a mencionada EIRELI.

           No entanto, este escriba particularmente não vê erronia nessa denominação vez que de há muito o nosso Direito já vinha tratando, doutrinária e jurisprudencialmente, desse tipo de sociedade unipessoal, notadamente no âmbito tributário, assim como a figura em questão é adotada em legislações de diversos países, vg, França, Espanha, Itália, Dinamarca, Chile e Portugal, dentre outros, cada qual com sua denominação própria, segundo se colhe, como fonte, em http://jus.com.br/revista/texto/5518/com.

           A sociedade pluripessoal tem como seu instrumento orgânico o contrato social entre os sócios, pode se dizer que o ato constitutivo da sociedade unipessoal, ainda que simbolicamente, tem a natureza de um quase-autocontrato, também chamado de contrato consigo mesmo, onde figuram as duas partes: uma, é a pessoa física do advogado; a outra parte é a própria OAB, como órgão registrador do ato e fiscalizador da profissão. Vale averbar que a modalidade desse autocontrato, também, se sujeita a nulidade prevista no art. 117, do vigente Código Civil na medida em que a representada em sendo a própria Entidade fiscalizadora, a qualquer tempo poderá cancelar a inscrição caso venha a considerá-la nociva aos interesses institucionais da Classe, isso, obviamente, assegurando-se amplo direito de defesa ao advogado titular da sociedade.

1.1..2.   O Provimento 170/2016 do Conselho Federal da Ordem regulamentou a sociedade unipessoal da advocacia, destacando, entre as demais disposições, que advogado não pode integrar mais de uma sociedade,  ser sócio de uma sociedade de advogados ou  ser titular de mais de uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional.

            Deste modo, o Provimento em causa autoriza que o advogado pode ser titular de outras sociedades unipessoais de advocacia desde que sejam sediados em área territorial de outros Conselhos Seccionais, sejam como filiais ou autônomas, devendo para tanto registrá-las nos respectivos conselhos estaduais.

           Da mesma forma que as sociedades pluripessoais de advocacia, é permitida a sociedade unipessoal ter os chamados advogados associados, figura atípica criada pelo Regulamento Geral da Advocacia em seu art. 31 que diz duvidosamente que o associado integra a sociedade “sem vínculo de emprego” (sic), assim como pode ter correspondentes, que são advogados subcontratados para determinados serviços advocatícios comumente em outras comarcas que não do local da sede da sociedade.

          A responsabilidade do advogado é ilimitada, i.e., ele responde com seus bens particulares pelos danos causados ao cliente, contudo, no caso da sociedade advocatícia ser a contratada para os serviços, a pessoa física dos advogados que a integram passam a ter somente responsabilidade de natureza subsidiária, donde, primeiro devem  responder  os bens da pessoa jurídica, seja ela pluripessoal ou unipessoal, todavia, caso sejam os bens insuficientes, é que podem ser  alcançados os bens pessoais do advogado que diretamente causou o dano ao cliente ou a terceiros, podendo mesmo alcançar s bens pessoais de qualquer um dos outros sócios da sociedade, mas restritos  ao limite de suas respectivas  participações societárias.

            Outra tormenta que deve se abater sobre a recém figura da sociedade unipessoal da advocacia é se a procuração outorgada ao advogado titular dessa modalidade societária deva conter expressamente se o mandato é conferido à pessoa física do advogado ou a ele como titular da sociedade, como é a regra das sociedades pluripessoais que determina que no mandato contenha expressamente ser o mandatário integrante da sociedade (§ 3º, do art.15, do Estatuto),  isto com o objetivo de restar  bem configurada que é a pessoa jurídica que está sendo contratada para a prestação dos serviços profissionais, inobstante a atuação seja pessoal dos advogados nominados no instrumento, detalhe que parece ter como finalidade maior caracterizar a responsabilidade perante o  Fisco se é da pessoa física ou jurídica na medida em que os tributos de cada qual são bem distintos em matéria de alíquotas tributárias.

            Por seu turno, entende este escriba que no caso da sociedade unipessoal, mesmo que a procuração tenha sido outorgada à pessoa individual do advogado, em sendo ele  obviamente  o único titular da sociedade, poderá o alvará de levantamento  ser expedido em nome de qualquer das duas pessoas, ou seja, da pessoa física ou  da pessoa jurídica, não havendo sequer necessidade de que tenha que  haver substabelecimento específico do mandato da pessoa física para a pessoa jurídica nos autos, o que seria uma aberração tecnicista por se tratar de uma só individualidade.  E caso seja o alvará levantado pela pessoa física do advogado, este pode lançar na escrituração contábil da pessoa jurídica o valor recebido, desde que seja expedida a competente fatura fiscal nesse sentido.  Ora, caso o contribuinte tenha opções para pagamento de tributos, sendo todas lícitas, terá o direito de escolher aquela que resulte no menor pagamento do tributo, isso se caracterizando como ato de inegável elisão fiscal (não evasão fiscal), sendo o que se  extraia, por exemplo, do espirito do inciso II, do art. 112,do CTN.    Esse direito de escolher entre os meios lícitos de pagar menos tributos é  reconhecido, e.g., pelo tributarista Alexandre Rossato da Silva Ávila [2],  ao dissertar que

“[…] o contribuinte tem o direito de economizar no pagamento de tributos. Ele não é obrigado a adotar a forma mais onerosa para conduzir os seus negócios. O contribuinte pode estruturar seus atos ou negócios de maneira a pagar menos, ou nenhum, tributo. Se o ato pode ser praticado por duas formas, sendo uma tributada e outra não, é evidente que o contribuinte tem o direito de escolher a que melhor atenda aos seus interesses. Ninguém é obrigado a adotar a forma mais onerosa para os seus negócios […]”.

            O  tema já foi semelhantemente abordado pelo STJ no REsp  654.543-BA, quando ficou decidido que a sociedade de advogados tem direito ao levantamento de honorários mesmo que a procuração tenha sido outorgada à pessoa física do advogado, ainda que na procuração não haja indicação da sociedade, sendo assim reconhecido para efeitos  tributários na medida em que os tributos, em geral,   são menos onerosos à pessoa jurídica. Assim,  a Corte Especial do STJ, por maioria, entendeu que o § 3º do art. 15 da lei nº 8.106/1114 (Estatuto da OAB), quando exige a inserção do nome da sociedade na procuração, faz isso para controle meramente de responsabilidade ética; entendeu-se que “se o próprio advogado afirma que os honorários pertencem à sociedade e não há impugnação, é de presumir-se que a sociedade seja a credora”. O julgado dá, quanto à questão fiscal, “uma interpretação mais liberal quando a própria lei tributária dá um tratamento privilegiado à sociedade”.

2.        Tanto a sociedade de advogados quanto a sociedade unipessoal ganham forma de personalidade jurídica com o seu registro unicamente no Conselho Seccional da OAB onde estiver a sua sede social, donde para tanto, cada qual dispõe de um departamento próprio e adequado para os registros das sociedades, que guarda semelhança das juntas comerciais e dos cartórios de pessoas jurídicas para se processarem os registros, averbações e anotações, cabendo salientar ser, no Brasil, a Ordem a única instituição no gênero dos registros de sociedades autorizada legalmente a fazê-lo desse modo.

           A  constituição de filial de qualquer dos dois tipos de sociedades deve ser averbada no registro original da sociedade e arquivado no Conselho Seccional do estado onde for instalada, e obviamente, como as demais sociedades, não se admitem sócios que não sejam os constantes do registro da matriz.

3.      Da razão social da sociedade pluripessoal deve constar expressamente, pelo menos, o nome de um dos advogados sócios, mesmo que falecido, se assim constar do contrato social, e o da unipessoal, “deve ser obrigatoriamente formada pelo nome do seu titular, completo ou parcial, com a expressão ‘Sociedade Individual de Advocacia”; aqui, em nosso entender, não agiu com propriedade o legislador ao determinar a adição ao nome do titular da expressão “Sociedade Individual de Advocacia” , quando poderia autorizar que se fizesse a adição apenas da sigla “SIA”, à semelhança da consagrada LTDA ou da novel  EIRELI, criada pela Lei 12.441, de 11 de julho de 2011, quando trata da sua irmã gêmea desta sociedade advocatícia na medida em que é o embrião dessa nova legislação oabiana. No entanto, ainda assim este escriba entende que pode o titular da sociedade aditar a sua razão social (rectius– nome) somente a sigla em questão: SIA, se a Seccional desta forma aceitar o registro, ou o Conselho Federal aditar Provimento nesse sentido, fica, pois, a sugestão. Afinal, estamos no século XXI, devemos simplificar, e não complicar, ou burocratizar, portanto, modus in rebus.

4.      Além dos sócios, a sociedade pluripessoal pode admitir associados, que não se caracteriza como vínculo empregatício na relação jurídica com a sociedade de advogado, como estabelece o art. 31, do Regulamento Geral da OAB:

Art. 31. A sociedade de advogados pode associar-se com advogados, sem vínculo de emprego, para participação nos resultados.

Parágrafo único. Os contratos referidos neste artigo são averbados no registro da sociedade de advogados”. (VIDE ITEM 1.4.1 a seguir).

           Não é demais destacar que o associado é um colaborador que participa dos resultados da sociedade e não um advogado empregado, que tem capítulo próprio no atual Estatuto, contudo, a responsabilidade social perante terceiros é exclusiva da sociedade e dos sócios, não alcançando assim o associado, que pessoalmente responde, direta ou reflexivamente, apenas por ato quando eivado de dolo, seja eventual ou direto, mesmo a serviço da sociedade.

            A relação profissional do associado com a sociedade é de estrema sensibilidade jurídica na medida em que se os serviços prestados se enquadrarem  nos preceitos do art. 3º, da CLT, notadamente habitualidade e subordinação, pode  configurar vínculo empregatício, malgrado a legislação de pertinência diga que o advogado associado não gera relação de emprego.  No entender deste escriba dificilmente  ocorre a descaracterização desse vínculo na medida em que a prática tem demonstrado que o advogado associado quase sempre fica sujeito à subordinação aos sócios e à habitualidade de dias e de horários do funcionamento do escritório, ainda mais que que o próprio Estatuto advocatício exige  que o advogado  tenha plena independência para o regular exercício de sua atividade.

              Uma questão que exsurge é se pode ser admitido como associado o estagiário, já que lhe é vedado ser sócio, porque do capital social somente pode participar advogados. Em nosso entendimento o estagiário pode ser associado na medida em que a legislação não veda expressamente a sua participação nada obstante o art. 31, do Regulamento Geral, que trata do associado diga explicitamente “associar-se com advogados”, e assim entendemos porque a admissão do associado na sociedade se restringe a participar nos resultados, continuando todas as demais responsabilidades dos sócios, donde não haver sentido para vedar o estagiário da associação em causa.

             A expressão advogados associados ultimamente vem ganhando mais destaques na medida que passa a ser comum a denominação social das sociedades que os tenham em seus quadros se expressarem como Fulano Advogados & Associados.

4.1.       Entendemos que mesmo a sociedade unipessoal da advocacia comporta a figura do advogado associado, vez que não é juridicamente um sócio e nem um empregado, apenas um colaborador da titularidade da sociedade, cabendo a responsabilidade civil e administrativa unicamente ao titular, a não ser no que tange a responsabilidade disciplinar que é sempre pessoal do seu agente.

5.         A sociedade pluripessoal de advogados deve ser, obviamente, constituída pelos menos de dois advogados, no entanto, permitido que permanecem com apenas um sócio, em caso de falecimento ou retirada de um deles, pelo prazo de 180 dias, conforme as demais sociedades, como estabelecido no art. 1033, IV, do vigente Código Civil, findo o prazo se não reconstituída será dissolvida, caso não haja opção por continuar como sociedade unipessoal, o que é exposto a seguir.

5.1.          A referida Lei nº 12.441, de 11 de julho de 2011, que entrou em vigor no dia 01 de janeiro de 2012, acrescentando o art. 180-A, ao Código Civil, veio institucionalizar a chamada sociedade unipessoal para a modalidade de sociedade limitada na medida em que não se exige a presença de mais de um sócio quando o capital social não ultrapassar 100 (cem) vezes o valor do salário mínimo, com o que era de se esperar que viesse à liça legislação semelhante nesse sentido para os advogados, o que acabou de ocorrer com a mencionada Lei nº13.247, de 12 de janeiro de 2016, para dar aos advogados de menor porte financeiro as vantagens do chamado Simples Nacional, pois foi para isso que o legislador assim fez editar a legislação em causa, caso contrário, a nova Lei perderia sentido e objetivo na medida em que a pessoa física do advogado autônomo continuaria da mesma forma perante o Fisco. Portanto, mudar por mudar não tem o menor sentido, sendo óbvio que a sociedade unipessoal da advocacia está amparada pela Lei Complementar nº 147, de 07 de agosto de 2014, na medida em que esta indubitavelmente universaliza o Simples Nacional no cenário tributário.

6.        Demais disso, vale alertar que se aplica à sociedade de advogados, seja unipessoal ou pluripessoal, o Código de Ética e a legislação de regência Disciplina, no que couber, bem como as procurações devem ser outorgadas individualmente aos advogados e indicar a sociedade de que façam parte, que nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional, e, obviamente, que os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não podem representar em juízo clientes de interesses opostos.

6.1.           No que tange a aplicação do Código de Ética às sociedades vale salientar que a OAB pode mesmo aplicar à pessoa jurídica a pena de suspensão e até mesmo a exclusão do registro conforme for o grau de implicação da própria sociedade no ato ético-disciplinar, isto além, é claro, da aplicação das penalidades aos advogados que a compõem.

6.2.           Por sua vez,  impedimento de qualquer dos sócios, de acordo com o artigo 30, do Estatuto, alcança a própria sociedade de que faça parte e os demais sócios, caso contrário estaria aberta uma larga porta para ser burlado o impedimento, que visa, como sabido, vedar a captação de clientela e a chamada advocacia administrativa, que é ato tipificado no Código Penal brasileiro (art. 321), que estabelece que “patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário”, cuja sanção é de detenção de 3 meses a 1 ano, além da multa.

6.3.          Com efeito, a incompatibilidade (art. 28, do Estatuto) advinda para qualquer dos sócios, no nosso entender, além de fazer excluí-lo da sociedade, por igual, torna os sócios remanescentes e a própria pessoas jurídica impedida eticamente de funciionar perante à Fazenda Pública que remunere o ex-sócio.As sociedades de advogados são dissolvidas, parcial (caso apenas das pluripessoais) e totalmente, da mesma forma como as demais sociedades, sendo que algumas Seccionais têm Turmas, chamadas de deontológicas, ou Comissões regimentais, que dentre as suas atribuições têm as tentativas de conciliação para se evitar a dissolução por meio judicial, não sendo, todavia, obrigatória utilizar-se dessa tentativa como fase prefacial da medida judicial em causa, evidentemente, face ao princípio constitucional de inafastabilidade do controle jurisdicional.

          As sociedades de advogados são dissolvidas, parcial (caso apenas das pluripessoais) e totalmente, da mesma forma como as demais sociedades, sendo que algumas Seccionais têm Turmas, chamadas de deontológicas, ou Comissões regimentais, que dentre as suas atribuições têm as tentativas de conciliação para se evitar a dissolução por meio judicial, não sendo, todavia, obrigatória utilizar-se dessa tentativa como fase prefacial da medida judicial em causa, evidentemente, face ao princípio constitucional de inafastabilidade do controle jurisdicional.

           Destaque-se que a suspensão disciplinar de advogado integrante da sociedade não é motivo de suspensão ou cancelamento do registro da sociedade, entretanto, da procuração outorgada pelo constituinte, não deve conter o nome do advogado suspenso na medida em que lhe faltará, no período de suspensão, o devido jus postulandi. Porém, se algum dos sócios receber a pena de exclusão da OAB, obrigatoriamente, a sociedade de advogados deverá alterar o contrato social para excluí-lo e fazer o registro na OAB da referida alteração; se a sociedade for constituída somente de dois sócios, será considera extinta para todos os efeitos até que o sócio remanescente opte por pedir formalmente a sua extinção, ou transformá-la em sociedade unipessoal, como autoriza o § 7º, do artigo 15, do Estatuto, acrescentado pela Lei nº 13.247/2016.

[1] Disponível em 21/03/2014http://jb.jusbrasil.com.br/definicoes/100008385/sociedade-de-advogados

[2]   AVILA, Alexandre Rossato da Silva. Curso de Direito Tributário. Porto Alegre: Verbo Jurídico, 2005, p. 187.

  1.    A seguir  traçamos um modelo de ato constitutivo sa sociedade unipessoal:

“ATO CONSTITUTIVO DA SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

Fulano de Tal Sociedade Individual de Advocacia”

FULANO DE TAL ( nome completo, nacionalidade, estado civil e regime de bens do sócio], inscrito no Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado do Rio de Janeiro, com o n°. ………, CPF   nº   …………………., residente e domiciliado na     Rua ………….,   nº   ………, na     cidade …………………, Estado………., resolve constituir sociedade individual de advocacia, na forma da Lei nº 8.906/94, Provimento nº 170/2016, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e demais dispositivos aplcáveis à espécie, mediante as seguintes cláusulas:

CLÁUSULA PRIMEIRA– DA RAZÃO SOCIAL

Será adotada a seguinte razão social   “Fulano de Tal Sociedade Individual de Advocacia”

CLÁUSULA SEGUNDA – DA SEDE

A Sociedade tem sede na cidade de ……., no Estado do Rio de Janeiro, em (colocar endereço completo, inclusive, cm CEP)

1º – A SOCIEDADE poderá a qualquer tempo, abrir ou fechar filiais, mediante alteração deste ato constitutivo, com o seu devido registro na Ordem dos Advogados do Brasil.

2º- A SOCIEDADE pode admitir advogado associado, nos termos do art. 39, do Regulamento Geral da Ordem dos Advogados.

CLÁUSULA TERCEIRA – DO CAPITAL

O capital social será R$ ……………………………reais, totalmente integralizadas neste ato, em moeda corrente do País.

CLÁUSULA QUARTA – DA FINALIDADE

A SOCIEDADE se destinará ao exercício da advocacia, devendo atender as disposições regulamentares pertinentes à espécie, sendo vedada a utilização da razão social para outra atividade profissional, assim como é vedada prestar fiança, aval, caução e quaisquer outras garantias, ainda que em favor do próprio titular.

CLÁUSULA QUINTA – DO PRAZO

 A SOCIEDADE iniciará suas atividades na data de registro do seu ato constitutivo n Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado e seu prazo de duração é por tempo indeterminado.

CLÁUSULA SEXTA – DA RESPONSABILIDADE

Além da SOCIEDADE,  o titular responderá subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos clientes, por ação ou omissão, no exercício da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possa incorrer;

CLÁUSULA SÉTIMA – DA ADMINISTRAÇÃO

A administração da SOCIEDADE caberá ao titular, podendo delegar parcialmente poderes a terceiros, mediante a sua própria responsabilidade nos termos da cláusula anterior.

CLÁUSULA OITAVA – DO EXERCÍCIO

O exercício social coincidirá como ano civil, devendo ao final de cada exercício ser procedido o inventário, com o balanço patrimonial e o balanço de resultado econômico , cabendo ao titular os lucros ou perdas apurados, consoante a legislação de regência.

CLÁUSULA NONA – DAS DEMAIS DECLARAÇÕES

Sob as penas da lei, o advogado titular da Sociedade declara não incorrer em quaisquer das hipóteses de incompatibilidade e impedimento prescritos na Lei nº 8.906/1994, bem como não participa de outra sociedade e não está son os efeitos de qualquer penalidade administrativa ou criminal que o impeça de participar desta Sociedade.

CLÁUSULA DEZ – DA EXTINÇÃO

A SOCIEDADE será extinta, por livre vontade de seu titular, ou quando de seu falecimento, devendo ser apurado o valor de seus haveres e liquidado com base na situação patrimonial da SOCIEDADE à data da resolução, verificada em balanço especialmente levantado.

DATAR e ASSINAR com o nome completo, junto com duas testemunhas identificadas.

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