Sancionada nova Lei sobre omissão de preceito constitucional

 

O presidente Lula sancionou, na terça-feira, dia 27, a Lei que regulamenta a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO). O projeto de lei foi elaborado a partir de sugestão do STF, sendo  parte do estabelecido pelo II Pacto Republicano, conforme protocolo firmado em abril entre os Três Poderes da República, que por objetivo tornar o Judiciário mais eficaz.

 

A Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO)  assegura  o pleno exercício de direitos constitucionais, ainda que não haja regulamentação legal por parte das autoridades competentes para a  matéria, sendo semelhante ao mandado de injunção, do qual se distingue porque os feitos da sentença é erga omnes  (aplica-se a todos indistintamente), ao passo que o mandado de injunção só se aplica ao autor do pedido.

 

Pela Lei sancionada, a sentença ao declarar o Poder como omisso na matéria, terá 30 dias para adotar as medidas necessárias ao cumprimento do preceito constitucional, e em havendo  necessidade de lei regulamentadora específica, o Poder Legislativo terá 180 dias para aprová-la.

 

O autor deverá indicar na petição inicial a omissão inconstitucional total ou parcial, devendo instruí-la com os documentos necessários que comprovem a omissão, sob pena do ministro relator indeferi-la, da qual cabe agravo, não havendo como o autor desistir do pedido junto ao Supremo.

 

Estão legitimados para o pedido, que deve proposto perante o Supremo Tribunal Federal,  são os mesmos agentes legitimados para a Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Ação Declaratória de Constitucionalidade, conforme dita o art. 103, da Carta da República.

 

 

 

 Veja a seguir a Lei.

 

 

LEI Nº 12.063, DE 27 DE OUTUBRO DE 2009.

 

  Acrescenta à Lei no 9.868, de 10 de novembro de 1999, o Capítulo II-A, que estabelece a disciplina processual da ação direta de inconstitucionalidade por omissão. 

 

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte  Lei:

 

Art. 1o  A Lei no 9.868, de 10 de novembro de 1999, passa a vigorar acrescida do seguinte Capítulo II-A, que estabelece a disciplina processual da ação direta de inconstitucionalidade por omissão:

 

“Capítulo II-A

 

Da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão

 

Seção I

 

Da Admissibilidade e do Procedimento da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão

 

Art. 12-A.  Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade.

 

Art. 12-B.  A petição indicará:

 

I – a omissão inconstitucional total ou parcial quanto ao cumprimento de dever constitucional de legislar ou quanto à adoção de providência de índole administrativa; 

 

II – o pedido, com suas especificações.

 

Parágrafo único.  A petição inicial, acompanhada de instrumento de procuração, se for o caso, será apresentada em 2 (duas) vias, devendo conter cópias dos documentos necessários para comprovar a alegação de omissão.

 

Art. 12-C.  A petição inicial inepta, não fundamentada, e a manifestamente improcedente serão liminarmente indeferidas pelo relator.

 

Parágrafo único.  Cabe agravo da decisão que indeferir a petição inicial.

 

Art. 12-D.  Proposta a ação direta de inconstitucionalidade por omissão, não se admitirá desistência.

 

Art. 12-E.  Aplicam-se ao procedimento da ação direta de inconstitucionalidade por omissão, no que couber, as disposições constantes da Seção I do Capítulo II desta Lei. 

 

§ 1o  Os demais titulares referidos no art. 2o desta Lei poderão manifestar-se, por escrito, sobre o objeto da ação e pedir a juntada de documentos reputados úteis para o exame da matéria, no prazo das informações, bem como apresentar memoriais.

 

§ 2o  O relator poderá solicitar a manifestação do Advogado-Geral da União, que deverá ser encaminhada no prazo de 15 (quinze) dias. 

 

§ 3o  O Procurador-Geral da República, nas ações em que não for autor, terá vista do processo, por 15 (quinze) dias, após o decurso do prazo para informações.

 

Seção II

 

Da Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão

 

Art. 12-F.  Em caso de excepcional urgência e relevância da matéria, o Tribunal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, observado o disposto no art. 22, poderá conceder medida cautelar, após a audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão pronunciar-se no prazo de 5 (cinco) dias.

 

§ 1o  A medida cautelar poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos, ou ainda em outra providência a ser fixada pelo Tribunal.

 

§ 2o  O relator, julgando indispensável, ouvirá o Procurador-Geral da República, no prazo de 3 (três) dias.

 

§ 3o  No julgamento do pedido de medida cautelar, será facultada sustentação oral aos representantes judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos responsáveis pela omissão inconstitucional, na forma estabelecida no Regimento do Tribunal.

 

Art.12-G.  Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar, em seção especial do Diário Oficial da União e do Diário da Justiça da União, a parte dispositiva da decisão no prazo de 10 (dez) dias, devendo solicitar as informações à autoridade ou ao órgão responsável pela omissão inconstitucional, observando-se, no que couber, o procedimento estabelecido na Seção I do Capítulo II desta Lei.

 

Seção III

 

Da Decisão na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão

 

Art. 12-H.  Declarada a inconstitucionalidade por omissão, com observância do disposto no art. 22, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias.

 

§ 1o  Em caso de omissão imputável a órgão administrativo, as providências deverão ser adotadas no prazo de 30 (trinta) dias, ou em prazo razoável a ser estipulado excepcionalmente pelo Tribunal, tendo em vista as circunstâncias específicas do caso e o interesse público envolvido.

 

§ 2o  Aplica-se à decisão da ação direta de inconstitucionalidade por omissão, no que couber, o disposto no Capítulo IV desta Lei.”

 

Art. 2o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

 (Publicado no DOU de 28.10.2009)

 

 

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