Ordem unida em empresa gaúcha – como se fosse no exército

 A ordem unida é uma das atividades militares, onde são treinadas as marchas militares e desfiles cívicos. Em compêndios militares ela é definida como “conjunto harmonioso, cadenciado e equilibrado dos movimentos de marcha“.

Os comandos de ordem unida são dados pelo oficial, graduado ou o mais antigo presente à frente do grupo, em tom firme, enérgico e que inspire respeito à figura da autoridade presente.

As ordens podem ser dadas por corneta ou clarim, apito, gestos ou pela voz de comando.

A empresa gaúcha Vonpar Refrescos S. A. foi condenada ao pagamento de indenização por dano moral, no valor de R$ 20 mil, a um vendedor que foi submetido a situação humilhante e vexatória num treinamento motivacional que incluía a obrigatoriedade de participação em exercício de entrar em ordem unida e marchar.

A empresa tentou se livrar da condenação, mas a 1ª Turma do TST não conheceu do seu recurso.

Consta do relato do trabalhador na reclamação trabalhista que a empresa obrigava os empregados da área comercial – vendedores, gerentes, supervisores e coordenadores – a entrar em ordem unida e marchar no pátio da empresa entre 30 minutos e uma hora, “sob gritos e imposições, como se recrutas do exército fossem“.

Cada equipe tinha um grito de guerra. Segundo depoimento do próprio preposto da empresa, o treinamento era coordenado por uma pessoa que usava vestimenta semelhante a uma farda militar.

No recurso ao TST contra a decisão do TRT da 4ª Região (RS) que lhe impôs a condenação, a empresa argumentou que “a honra do empregado não foi violada, uma vez que o treinamento não tinha o intuito de punição“.

Segundo a Vonpar, “tratava-se de uma atividade motivacional em grupo, sem personalização ou individualização“.

Mas o relator do recurso na 1ª Turma, ministro Hugo Carlos Scheuermann, avaliou que a empresa não conseguiu descaracterizar o dano moral.
Fonte: Espaço Vital: 04/03/2013

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